O Laboratório Ópera XXI é uma plataforma para o desenvolvimento da ópera de hoje que derivou do concurso Maratona Ópera XXI, na sua aposta nas várias vertentes da composição, produção e interpretação de ópera. Aposta assim na formação, profissionalização e dinamização da ópera contemporânea, também numa acção multidirecional com iniciativas multidisciplinares intrínsecas a esta forma de arte total, contribuindo para apontar novo caminhos e tendências para a ópera do presente e do futuro.
Em 2026 o LOXXI investe no aprofundamento do trabalho do compositor e do libretista para a composição de novas óperas, assim como em masterclasses de técnica vocal e de trabalho cénico, para cantores emergentes e masterclasses e oficinas que abordam o corpo numa visão holística e como principal instrumento do intérprete de forma abrangente.
Curso livre por Paulo Ferreira de Castro
6 a 8 Outubro, 18h00
Auditório da Biblioteca Nacional de Portugal
Entrada livre mediante inscrição no formulário (aqui)
Desvendando a evolução e características do Libreto – o texto dramatúrgico, estruturante da ópera.
“Quem escreve, quem decide, como se transforma um texto no encontro com a música.”
A Ópera do Castelo apresenta, no âmbito do Laboratório Ópera XXI – Plataforma para a ópera de hoje, um curso livre dirigido a profissionais do sector e público interessando, para aprofundar o conhecimento em torno do texto dramatúrgico da ópera – o libreto: as suas características fundamentais e a sua evolução ao longo do tempo e tipologias várias.
O libreto é o texto dramatúrgico da ópera, o seu esqueleto, o texto sobre o qual a música se torna palavra cantada e enredo em cena.
A conjunção entre o compositor e o libretista é inevitável. A inspiração e adaptações de obras literárias é uma constante.
Propõe-se uma viagem pela história e evolução do libreto desde o nascimento da ópera, em Itália na alvorada do século XVII até aos nossos dias, passando por libretos paradigmáticos de cada época, inovadores, por duplas geniais incontornáveis como Monteverdi e Busenello (A Coroação de Popeia), Mozart e Lorenzo da Ponte (As Bodas de Fígaro, Cosi fan tutti e Don Giovanni), Verdi com Arrigo Boito e mais recentemente já nos século XX e XXI Kaija Saariaho e Amin Maalouf. O caso único e visionário de Wagner e as óperas que partem directamente das próprias obras literárias como Wozzeck de Alban Berg/Georg Büchner ou Salomé de Richard Strauss/Oscar Wilde e tantos outros.
Entrando a fundo no libreto – Itinerário
Esta série de três sessões propõe uma introdução ao libreto de ópera enquanto género literário específico, acompanhando algumas das suas principais transformações históricas e estéticas. Partindo da evolução do género, serão abordadas questões de métrica e versificação, bem como a progressiva passagem da poesia à prosa e as diferentes formas de articulação entre palavra e música. A análise incidirá ainda sobre a relação entre escrita e canto – entre o texto escrito e a sua realização vocal – e sobre o modo como o libreto participa na construção da teatralidade e da dramaturgia da ópera e géneros afins.
Ao longo das três sessões serão analisados casos concretos, permitindo observar diferentes soluções formais e dramatúrgicas, incluindo adaptações, em forma de libreto, de textos teatrais e literários pré-existentes. A atenção estará também centrada nos processos de colaboração, negociação e conflito entre compositores e libretistas: quem escreve, quem decide, como se transforma um texto no encontro com a música e que tensões podem surgir entre autonomia literária e exigências musicais e cénicas.
Finalmente, serão discutidas algumas das problemáticas que se colocam à escrita de libretos na actualidade, num contexto em que a ópera experimenta novas relações entre linguagens, formas de vocalidade, dramaturgias e modos de criação colectiva. As sessões procurarão, assim, compreender o libreto não apenas como suporte verbal da música, mas como um espaço específico de invenção, mediação e tensão entre literatura, composição e teatro.
Paulo Ferreira de Castro
Paulo Ferreira de Castro
(Musicólogo)
Paulo Ferreira de Castro estudou musicologia em Estrasburgo e Londres, tendo obtido o seu Doutoramento no Royal Holloway College. Foi docente e Coordenador Executivo do Departamento de Ciências Musicais da NOVA FCSH. Entre 1992 e 2000 exerceu funções directivas no Teatro Nacional de São Carlos, primeiro como Director Artístico, depois como Administrador e Director. Foi co-fundador e primeiro Presidente da Sociedade Portuguesa de Investigação em Música (SPIM) e Presidente da Direcção do Centro de Estudos em Música da FCSH (CESEM). Desde 2022, integra o Directório da Sociedade Internacional de Musicologia (IMS), com sede em Basileia. Fez crítica musical no semanário Expresso e é autor de estudos sobre história, estética e crítica musical dos séculos XVIII a XXI, publicados em várias línguas. Tem participado em numerosas conferências e proferido palestras em Portugal e no estrangeiro – nomeadamente em França, Itália, Áustria, Reino Unido, E.U.A., Canadá, Polónia, Rússia, Lituânia, Sérvia, Roménia, Grécia, Espanha e Brasil. Como investigador, tem dedicado especial atenção às teorias e práticas da significação musical e às relações entre música e filosofia.
Produção: Ópera do Castelo